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42- Amando Sem Saber (Four’s a Crowd, Michael Curtiz, 1938)E eis que Michael Curtiz coloca dona Rosalind Russell numa screwball de ambiente jornalístico dois anos antes que Howard Hawks fizesse a mesma coisa em Jejum de Amor. Este é um exemplo razoavelmente divertido do gênero mesmo Curtiz estando completamente “fora de mão” e Mr Flynn, embora nunca tenha se notabilizado pela comédia, possuía o dom natural de ser engraçado. É uma pena Mr Flynn não ter se envolvido em mais filmes do gênero, especialmente porque a própria vida pessoal dele se parecia com uma comédia screwball.

43- Lilacs in the Spring (Herbert Wilcox, 1954)Filme inglês estranho pelo simples fato de que parece ser uma daquelas produções inglesas de tempos de guerra, quando na verdade foi produzido dez anos depois. Reza a lenda que este é primeiro filme tanto de Stephen Boyd e quanto de Sean Connery, mas não lembro de ter visto rastro deles.

44- Terra Proibida (Montana, Ray Enright/Raoul Walsh, 1950)Ó céus, Flynn é um pastor de ovelhas australiano. Pela primeira vez vi Flynn interpretando um personagem com sua nacionalidade de origem num filme americano, é um filme virtualmente estranho no melhor estilo piscou acabou e que raios foi isso? Pode ser chamado de ejaculador precoce encontra frígida. Claro que este foi um dos filmes homenageados por Baz Luhrmann em Austrália (assim como outros westerns com a presença de Mr Flynn), não seria uma homenagem ao país se não houvesse menção ao seu maior astro.

45- Adventures of Captain Fabian (William Marshall/Robert Florey, 1951)Novamente Flynny entra em disputa por mulher com Vincent Price. Com todo o respeito aos 5 centímetros a mais que possuía Mr Price (de altura!), ele não era páreo para Errol, assim como quase ninguém o era. E isso não é uma aventura como faz pensar o título equivocado, é um drama sulista.

46- Mara Maru (Gordon Douglas, 1952)É deveras impressionante o fato de quanto mais fundo Flynn cavava, melhor ator ele se tornava, embora isso seja de uma tristeza sem tamanho. Nas mãos de um Hawks ou Huston este filme teria rendido muito mais, mas esse noir B fora de época, pouco original e com terríveis 15 minutos finais também não deixa ninguém passar vergonha.

47- Istanbul (Joseph Pevney, 1957)Mais um daqueles insuportáveis plágios sem fim de Casablanca, até a tal da Cornell Borchers é a cara da Ingrid Bergman. Mas o estranho mesmo é o fato deste ser o remake de Singapura de 1947, com Fred McMurray e Ava Gardner que era um plágio ainda mais descarado. O que se salva neste melodrama romântico é a participação de Nat King Cole fazendo as vezes de Sam e estreando nas telas uma das músicas mais usadas do cinema: When I Fall in Love.

48- Outra Aurora (Another Dawn, William Dieterle, 1937)Espécie de versão anos 30 de O Paciente Inglês. Adoro areia e Flynny em uniforme do Império Britânico, mas nem a presença de uma das mais deslumbrantes mulheres dos anos 30, Kay Francis, salva este filme de ser um pé-no-saquinho.

49- O Príncipe Negro (The Dark Avenger, Henry Levin, 1955)Esse é o orgulho do Christopher Lee. Tio Lee tem um papel pequeno duelando com Flynny numa taverna, mas até hoje ostenta orgulhoso uma cicatriz que tem na mão e que ganhou de Errol Flynn durante aquela cena (essa da foto). Apesar de ser um filme medíocre com algumas cenas de ação bacanas, há lendas suficentes para torná-lo interessante ao assistí-lo, além de Lee e Flynn ainda podemos ver Peter Finch, Michael Hordern e Patrick McGoohan.

50- Jogando com a Sorte (The Big Boodle, Richard Wilson, 1957)Existem algumas coisas bem dolorosas de serem vistas, esta certamente é uma delas.

51- In the Wake of the Bounty (Charles Chauvel, 1933)Êêê! A estréia nas telas de Mr Flynn também é o seu pior filme e obviamente ele não sabe ainda o que fazer, aliás, acho que poucos os envolvidos sabiam. Logo em sua estréia o homem já fica com o importante papel de Fletcher Christian na história do motim do Bounty, refilmada mais tarde diversas vezes sob o nome de O Grande Motim e com gente como Clark Gable, Marlon Brando e Mel Gibson a reencarnar a personagem. Como não havia muito futuro no cinema australiano, Flynn foi para a Inglaterra, fez um dois filmes (um dos quais infelizmente é tido como perdido), foi descoberto por um produtor de Hollywood e o resto é história.
Acho que este é o filme australiano mais antigo que assisti, ao menos não me lembro de ter visto nenhum filme australiano mudo (thank god!) e este é o primeiro sonoro. A maior judiria aqui são as excelentes sequências na ilha, convinha ter feito um documentário com as mesmas do que mesclá-las a uma penosa dramatização. O cinema na Austrália só viu a civilização algumas décadas mais tarde e dá até para concordar com a brincadeira sobre os australianos caipiras que Ronald Reagan fez com Errol Flynn no primeiro diálogo deles em Desperate Jorney pouco menos de dez anos depois. O cinema australiano só começou mesmo a chutar bundas a partir dos anos 60, assim como boa parte do mundo.

Off-Topic: ¡Revolución! A Verdade sobre Fidel Castro (The Truth About Fidel Castro Revolution/Cuban Story, 1959)Eu prefiro nem comentar este filme, porque é um assunto espinhoso e dúbio sobre coisas das quais ninguém possui informações concretas, embora o valor histórico do filme em si seja incomensurável. A única verdade indiscutível sobre Flynn é que ele era e ainda é um dos maiores alvos de teoria da conspiração da história do cinema e provavelmente 90% do que se diz dele não tem fundamento ou qualquer prova (e boa parte dessas “alegorias” foram criadas por ele próprio!). Em torno desse filme, sua estadia em Cuba e suas relações com Batista e Castro não é diferente, por isso muito cuidado em acreditar em qualquer bobagem que se possa ler por aí. Mas tudo isso vem a provar algo inusitado: o verdadeiro pai do jornalismo gonzo foi na verdade Errol Flynn, Hunter Thompson roubou até a maldita piteira, então uma característica indissociável de Flynny.

Documentários sobre Flynn que muito recomendo:

- The Adventures of Errol Flynn (David Heeley, 2005): Narrado pelo Ian Holm e se atem a carreira fílmica do homem, mas todos sabemos que o Flynn em pessoa era muito mais interessante do que suas personagens ou carreira profissional. Há depoimentos ótimos tanto de amigos e colegas de trabalho como David Niven, Patrice Wymore, Jack Cardiff, Vincent Sherman, como de fãs famosos tais como Joanne Woodward, Richard Dreyffus e Burt Reynolds. É especialmente engraçado o tom de indignação tanto de Dreyfuss quanto de Reynolds a respeito das implicâncias de Bette Davis para com Flynn.
A grande sacada deste documentário são os depoimentos de Olivia de Havilland. Quando ela começa a recordar da primeira impressão que teve de Flynn: The handsomest, most charming, most magnetic, most virile young man in the entire world, ficamos apreensivos se a velhota não vai ter um orgasmo alí mesmo só com as recordações, tal momento não tem preço e fica evidente o quanto foi apaixonadíssima por ele.
Outra menção interessante foi a quase-inclusão de Flynn em E O Vento Levou, tanto no papel de Rett, quanto no de Ashley. Particularmente acho que Flynn ficaria excelente como Ashley, pois Leslie Howard não era um tipo que pudesse levar vantagem em cima de um Clark Gable, agora se fosse Errol Flynn… só mesmo o exu flynniano morto para a dona Scarlett olhar para o Gable.

- Tasmanian Devil: The Fast and Furious Life of Errol Flynn (Simon Nasht, 2007): Narrado pelo Christopher Lee (com direito a depoimentos do próprio que conhecera e trabalhara com Flynn) e um excelente retrato da vida maluca do homem, especialmente por mencionar aqueles anos loucos entre os 16 e 23, incluindo os tempos em que ele passava por gigolô gatuno em Sidney ou convivia com os canibais (!!!) da Papua Nova Guiné, antes de “sossegar” e ir parar em Hollywood, o envolvimento com a guerra civil espanhola, os problemas com menores, seus intentos literários e as relações com Fidel Castro. Faz juz ao homem que o inspira, porém é mais triste do que o esperado, pois dá essa visão de que Flynn era um cara autodestrutivo, mas não da maneira usual e sim ao contrário do que os reles mortais tendem a fazer – excetuando a relação problemática com a mãe, o que explica você-sabe-o-quê. Com isso fica impossível não traçar um paralelo entre o tipo de pessoa que Flynn era e Oliver Reed, há uma semelhança inegável em suas filosofias de vida, embora Flynn fosse muito mais biruta, é claro.

Nota 1: Em A Dama de Shangai (The Lady from Shanghai, Orson Welles, 1947) Flynny mostra que já trabalhara com Welles antes mesmo de Roots of Heaven. Além do aluguel de seu barco e o aconselhamento técnico, Flynn trabalhou como figurante, coisa que obviamente nunca resolvi procurar em cena. E não se preocupe com os cornos de Orson, Miss Hayworth já havia dado seus pulinhos com Mr Flynn antes dela virar estrela, mas afinal, quem não deu?

Nota 2: Para uma fonte de informações confiável na internet, longe da urubuzagem habitual, recomendo The Errol Flynn Blog – The Mystery and Mystique of Errol Flynn.

Nota 3: Um filme que muito me interessa assistir, mas que nunca tive a oportunidade, é o Too Much, Too Soon – The Daring Story of Diana Barrymore (Art Napoleon, 1958) onde ele interpreta o meu amado John Barrymore. Flynn fora grande amigo de Barrymore e acabou morrendo basicamente das mesmas causas um ano depois de ter feito esse filme. Mas a história mais bacana envolvendo os dois é a do dia da morte de Barrymore, quando Flynn e Raoul Walsh estavam normalmente enchendo o caneco num bar em memória do amigo e Walsh resolveu sair de fininho, roubou o cadáver de Barrymore do necrotério (!!!) e levou para a casa de Flynn, deixando-o sentado numa poltrona. É lógico que quando Flynn chegou em casa e viu aquilo, ficou sóbrio na hora e teve um ataque de nervos. Tanto Walsh quanto Flynn contavam essa história, mas aparentemente era um belo fruto da mente criativa de ambos.Nota 4: Flynny não foi espião nazista. Podemos ver essa lenda como homenagem na pele de Timothy Dalton em The Rocketeer (ó céus, James Bond é Errol Flynn e John Locke é Howard Hughes!), essa história surgiu com um maluco que escreveu uma biografia ainda mais maluca do que a própria vida de Flynn o fora. E não, Flynn não esteve envolvido na morte de Marilyn Monroe, dos Kennedys ou da Jean Seberg, nem voltou a fazer dinâmica com o Reagan durante o Irã-Contras, porque… ele já estava morto!!! Eu acho. hehehe.

Nota 5: Mais filmes baseados em Flynn? Há biografias como a feita para a tv americana nos 80, há também um filme australiano dos anos 90 que mostra apenas a vida pré-Hollywood com o Guy Pearce interpretando Flynn, mas a grande obra mestra baseada nele é mesmo Um Cara Muito Baratinado (My Favorite Year, Richard Benjamin, 1982) onde o igualmente pirado Peter O’Toole chega à perfeição, não sendo apenas um tratado excepcional de quem era o verdadeiro Flynn, como também uma imensa declaração de respeito. Além de tudo O’Toole é o último grande maluco bêbado do cinema, toda a sua geração de malucos bêbados morreu faz tempo, que o digam Oliver Reed, Richard Burton e Richard Harris. Até uns 10 anos atrás parecia que Russell Crowe poderia se juntar ao panteão, mas aí ele sossegou e ficou chato, a geração do cinema atual é um saco (com razoáveis exceções por parte de Rourke e Downey, é claro). Portanto, uma salva de palmas para Peter O’Toole, o último dos grandes.

Nota 6: O demônio da Tasmânia hoje seria considerado um pedófilo, peraí, ele já era considerado assim há 50 anos! Como se sexo com adolescentes fosse pedofilia – prova que o mundo está cada vez mais hipócrita e retardado. A sua fama e seus processos eram tantos que antes de morrer com apenas 50 anos, Mr Flynn esteve louco atrás do papel de Humbert Humbert na versão do livro de Nabokov, opção esta que Kubrick (que andava às voltas com a produção de Lolita desde 1958) recusou por ser um tanto óbvio demais. Nos anos 50 Flynn resolveu chutar o balde carregando para cima e para baixo uma guria de 15 anos que ele dizia ser sua “secretária”, mas nessa época resolveram deixá-lo em paz, sobretudo porque ele estava mesmo beirando a morte. Mas tudo isso não faz jus ao Mr Flynn, ele não gostava apenas das adolescentes, ele era apreciador das mulheres em geral e muito apreciador, aliás.
Mas por que pessoas como Roman Polanski são condenadas facilmente por estupro estatutário e Errol Flynn, com muito mais acusações, não? Porque Errol Flynn possuía um jurado formado por nove mulheres e três homens e nenhuma mulher plena de suas faculdades mentais colocaria Flynny na cadeia, NENHUMA.

I like my whiskey old and my women young.

Nota 7: A banda de surf music Australian Crawl fez um album em homenagem a Errol: Sirocco (1981), nome este que também batizava um dos barcos de Mr Flynn.

Nota 8: O que era o sorriso deste homem? O que eram aquelas covinhas? Quanto a isso não se pode fazer nada, mas se você morre de inveja do bigodinho de Mr Flynn, mas acha que dá muito trabalho para manter um desses e não tem paciência, você pode comprar um Mustache – Human Hair Errol Flynn – Thin Mustache, 100% Human hair on mesh backing. Attached with Spirit Gum. Um luxo só.

He was one of the wild characters of the world, but he had a strange, quiet side. He camouflaged himself completely. In all the years I knew him, I never really knew what lay underneath and I doubt if many people did. – Ann Sheridan

*Da série: Este post foi programado, eu não estou aqui!

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